terça-feira, 30 de dezembro de 2025

2025 .. um ano bão!

 Esse ano um tanto de cruzamento invadiu meus camim, mas a correria era tanta que num dava voz justamente pros meus pensamento mais sensivo. 


Oia só proce ve como a vida é doida .. 


Agora eu já tenho mais ano de mano do que de uai, e ainda assim num é essa cidade que me guarda.


E nos aguardo de segunda a sexta, a vida manda é lembrete de que o tempo num para:


Dentro do busão que tem dia que demora uns 30 minuto pra passar, vou trabaiá um trabai que aumenta meus oiá. 


Esse ano, além de invocar um tanto de trem coletivo nas luta que acredito, virei mestra. Sou mestre na faculdade dos oto e abeiúda nas minha palavra mais enfeitada. 

Graduada, pos graduada e inventada nas arte de num sossegar.


Mas quanta alegria assistir a vida em retrospectiva, todo dia, de dento daquele busão .. 


Antes dos primeiro 10 minuto de viagem, passo em frente ao Mandaqui, hospital que me leva aos ano de 2011 quando eu desmaiei ao reencontrar meu pai depois duma cirurgia de alto risco. 

Lembro como se fosse ontem .. 

mas um tanto de acorde nasceu nos amanhã que vieram depois disso. 


Subindo mais um tanto de minuto, nas virada duma sombra onde o povo dá o quilo da hora do almoço, encontro o antigo prédio da minha madrinha. 

Lembro que quando ainda morava em minas, ela me trouxe pra passar as férias por lá. 

Eu achava chique andar de elevador, acompanhar em compras num mercado que tinha bolacha diferente e ficar oiando as altura do mundo da janela daquele trem gigante.


Hoje, passo por lá pra trabaiar, morando em São Paulo, e é inevitável num me recordar dos pé da minha infância.


Foram eles que me trouxeram até aqui..


Hoje meu rosto já combina com uns cabelo branco, meu cotidiano já traz as dureza duma rotina, os problema convoca pa otas equação e a natureza divide nome ca saudade, mas inda assim me sinto toda menina quando óio no zói do tempo.


Mas num é que eu num cresci. 

É que eu só num sou maió que as minha infinita curiosidade.

Elas que me fazem pa sempre pequena .. 


Num dos ultimo trem que escrevi do coração, cheguei à conclusão que a vida tinha era firmado acordo ca própria incompetência. 


Ela num se quer completa, arrumada, por inteiro madurecida. Ela quer memo é o espaço dos avesso, os buraco sem fundo, os canto sem aviso, os trupico de repente. Ela quer brincar com nossas resposta, dobrando as aposta e fazendo careta pos rascunho de qualqué conclusão.


A vida é serelepe, muntada em horas de imprevisível, mas ainda assim toda comprometida cos destino que desenha pa nois. 


Faz caber tudo e nada no memo batimento. Usa verbo usado e surrado e cria otos tanto nos passo do dia a dia. 


A vida mexe, no fim, é cos tamanho das nossas poesia .. 


Zuba 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

tudo ao mesmo tempo, o tempo todo

finaleira de ano ..

que doidera foram os últimos tempos.

tenho feito coisas demais, e coisas muito preciosas - e custosas.

lancei um livro, tô fortalecendo um movimento social - necessário - que tem crescido muito 

fui demitida dum trampo muito significativo pra mim, e por perseguição política

tô tentando cuidar de mim no mei do camim

tenho participado de formações com estudantes

concluí uma pos em foz do iguaçu

tenho feito roteitos interestaduais em defesa do sus

tenho organizado encontros de trabalhadores

reuniões, muitas na semana

vida pessoal, tantas ..

e ainda preciso terminar meu mestrado

ja são 5 anos de mestrado e eu num aguento mais

meu prazo é começo de fevereiro para depositar

minha orientadora tá me desesperando ..

talvez eu tenha conseguido um trabai novo

perdi o que poderiam ser minhas férias

e tempo pra concluir esse mestrado como precisa

eu num sei o que será de mim no próximo 1 mes e meio

mas espero que dê tudo certim ..

só quero concluir logo esse mestrado e seguir minha vida

eu queria muito ir pra minas gerais

passar o natal com meus pais e avós

ver o acerolinha e seu sobrim

respirar ar puro

num perder o trampo que consegui - e que parece muito bão

e entregar algo legal no mestrado


mas será que vai dar?

fim de 2024 com emoções :')


zuba

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

pode mandar embrulhar ..

tenho andado mei braba

tentano descobrir

em como que volta

a acreditar


e então

cos pensamento

preso nessa conversa 

rumei jeito de sair de casa

pa trabaiar ..

 

eu tava co rosto

todo atrapaiado

quando uma senhora

me parô na porta do metrô

 

achei que tava perdida

mai no fundo

foi ela quem me encontrô

 

sorrino nos natural do dente

pediu com gentileza

pa bater uma foto

dela em frente ao canteiro

todim colorido de flô ..

 

“é pra mandar pra minha neta

 hoje é dia do idoso”

ela solta

justificano o favô

 

eu rio

suspendo tudo

e me aprofundo na ideia

de querer parar o mundo ..

 

me emposturo em ângulo

caçando o mió jeito

de guardar pa sempre

as confiança daquele registro

 

e sigo meu rumo

achano bão

em como na vida

a gente fica inté mais bonito

quando lembra que fei memo

é se esquecer pelo camim ..


zuba


domingo, 11 de agosto de 2024

outro lugar

"cê sabe que as canções são todas feitas pra você

e vivo porque acredito nesse nosso doido amor

não vê que tá errado

tá errado me querer quando convém

e se eu não tô enganado

acho que você me ama também .. 


o dia amanheceu chovendo

e a saudade me contém

o céu já tá estrelado

e tá cansado de zelar pelo meu bem

vem logo que esse trem já tá na hora

tá na hora de partir

e eu já tô molhado

tô molhado de esperar você aqui ..


amor, eu gosto tanto

eu amo, amo tanto seu olhar

andei por esse mundo 

louco, doido, solto

com sede de amar

igual a um beija-flor

que beija a flor

de flor em flor

eu quis beijar

por isso não demora que a história passa

e pode me levar ..


e eu não quero ir

não posso ir pra lado algum

enquanto não voltar

não quero que isso aqui dentro de mim

vá embora e tome outro lugar


talvez a vida mude

nossa estrada pode se cruzar

amor, meu grande amor

estou sentindo que está chegando

a hora de dormir .."


outro lugar - milton nascimento

reflexiva

ontem participei de um curso muito interessante .. voltado pra discussão do abolicionismo penal.

eu nunca tinha parado pra pensar a fundo nisso. assim como a maioria das pessoas, eu sempre interrompo meu pensamento em: "e se nao for assim, é como?"

e aí foi daora ir adicionando camadas a essa discussão que diz mais sobre nóis do que gostaríamos.

por vezes, imaginando cenários, foi mais facil projetar uma invasão alienígena, mutações genéticas, do que necessariamente admitindo qualquer mudança no humano. convocar a gente pra ser gente é um trem que parece tá dificil demais .. "mais fácil o mundo acabar do que o capitalismo".

e aí, trocando, vamos lembrando que o mundo sendo mundo, nem sempre foi assim.

prisões não existem desde sempre .. antes, outras lógicas conduziam o mundo. e pq agora nao conseguimos nos ver sem isso? é muito doido.

e aí vou pensando em mim e nas lutas que vou topando, porque tem tudo a ver.

eu há mais de um ano tenho lutado muito ativamente pelo SUS em SP, e digo pra vcs .. nao é simples, não é facil. tive perdas .. e sinceramente, não vejo um bom prognóstico. no entanto, sem essa luta teríamos menos certezas ainda. então a resistencia é um aspecto importante nesse processo, ainda que não aponte para caminhos e descobramentos muito concretos.

mas assim .. sinto uma enorme desperança no coletivo.

no micro, no individual, me afeto .. me renovo, me fortaleço .. mas no coletivo? num sei mais onde isso mora. é mesmo cada um por si.

o "vício pela liberdade" .. quando um direito básico vira compulsão justamente porque determinadas populações não conseguem viver essa autonomia. quando a vida, esse trem gigante, fica reduzida dependendo da mão que pega.

enfim .. me sinto forte, feliz por estar na luta, mas ao mesmo tempo profundamente desesperançosa no coletivo.

um vírus .. pense. um vírus! nois ficou mó cota sem poder nem abraçar as pessoas, sair de casa .. podendo ser o hospedeiro da morte de pessoas que amamos .. tudo nos invisivel, na sombra do acaso .. e nem isso mexeu com nois. então assim .. hehe. pra que vou ficar me iludindo?

mas dados de realidade ainda não sao suficientes pra me paralisar nas lutas que acredito. eu seria incapaz de ouvir e testemunhar tanta paiaçada quieta. num consigo .. e é aquele trem .. é junto dos bão que nois fica mió. a luta pelo direito à saúde dá ainda mais sentido à minha vida.

e nesses acaso de luta, na quinta passada, em um ato, sem querer trombei com quinquim. quinquim foi um caso que num foi pra frente pq nao era memo pra ir, mas em uma de nossas ultimas prosa, num gostei do jeito que ele ficou analisando meus jeito de ta no mundo .. e desta vez consegui rebater.

sentamo pra conversar e travei uma luta um pouco mais desimportante: informá-lo que num é pq num somo igual que num tenho o direito de ser diferente. dessa vez, ele entendeu, e firmamo acordo em amizade.

no mais, tenho me sentido pessima .. tenho sido grossa com pessoas que nao merecem e disse em voz alta, e pra outras pessoas, coisas horriveis sobre alguem que nao merecia. foi sem querer .. e agora nem consigo oiar na cara dela. me sinto repugnante.

sinal que tenho que calar minha boca hehehe .. hora de ouvir mais e falar menos.

e vamos lá!

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Uns trem que eu enfio na cabeça



Essa foto sou eu em 2017, ano em que trupiquei com um uberlandense nesses rolê de redes sociais.

Apelidei carinhosamente de acerola, por vezes acelora.

Conversamos muito, ele era galanteador, chei das ideia. Saí pro boteco do momento com minhas prima e ele prometeu de ir. Nunca nos encontramos no “Bar do Jorge”. Anos depois, descobri que ele estava lá .. só num teve coragem de achegar. 

Um trem que nunca foi pra frente porque nois era de outros lado. Eu, mineira perdida em SP. Ele, mineiro achado em Uberlândia. Ficamo suspendido um na rede do oto por muitos e muitos anos, e muita história aconteceu. 

No fim do ano passado, como quem num quer nada, voltamo a prosiá. A vida judiô dum jeito poco educado com ele. Mexeu com o coração da pió maneira, fez tudo que era brincadeira sem graça.

Ainda era acerola, acelora, mas um tanto mais amuado com as reviravolta que a vida dá. O se sentir à vontade continuava ali e se amexia de outros jeito.

Num janeiro qualquer, depois de um diz que me diz, falo: tô indo praí. Com ele já morando em Goiás.

Nos vimos e foi maravioso ver os zoim briando. Ele indo me buscar com a camiseta da sorte dele, toda rasgada. Faz um de cumê que eh uma delícia .. 

Num dia, sentamo na mesa, no alpendre, um de frente po outro, depois de almoçar, e foi uma das conversa mais bonita que já tive.

Primeiro, porque eu senti um trem que nunca senti em toda minha vida. Num era sentimento porque era sensação. Sensação de encontro. Sossego na espera. Calmaria e revolução.

Depois, porque falamo oio no oio .. “que que adianta sentir isso aqui se a gente num sabe o que vai fazer com isso?”. Como quem já estudou todas as matéria de intensidade da vida e soubesse que, pra acertar, às vezes faz preciso recuar.

Só concordei .. e achei bonito ver ele sem pressa. Achei respeitoso comigo, com nois. 

Hoje, brinco com as amiga que já encontrei meu marido. E eu quando grudo um trem nas ideia eh difícil de tirar. Eu tô nova, ainda quero curtir um tanto .. mas já considero o sossego e já sei com quem quero estar quando esse momento chegar.

Se tudo der certo, é com acelora. E ele já sabe disso .. 

zuba 


sábado, 13 de abril de 2024

10/04/2024 - o dia em que fui demitida do SUS

eu gosto de escrevê as dor de barriga que dá no meu coração, e hoje num dava jeito de ser diferente..

enquanto era tirada do SUS justamente por brigar demais por ele, limpando meu armário, encontro essa camiseta em mei a um tanto de foias de casos e discussões passadas. 

eu nem sabia que esse trem tava morando ali dento, como que conversando com minhas pequena revolução cotidiana, nutrindo, sustentando meu corpo nos invisivo de coragens pra seguir lutando e defendendo o que acredito, que é o direito ao acesso a uma saúde que seja pública, política, do povo e para o povo. 

já há algum tempo venho me dedicando a uma militância mais ativa e, por isso, mais arriscada, porque num dou mais conta de confiar soluções a instituições e partidos. 

têm sido meses exaustivos, tendo que trabaiar em casos complexos de saúde mental e em serviços precarizados, com trabaiadores sobrecarregados, sendo atravessada por perseguição e assédio, mas muito bem acompanhada por colegas que reforçam os sentidos dessa luta, que se quer coletiva, estratégica, criativa, sensível, bem humorada, fofoqueira e apaixonada ❤️ 

o SUS, esse trem bonito e que nois adora compartilhar e celebrar, já num cabe mais em discursos e em slogans.

já num é possível proteger o SUS sem se expor, sem dar ao menos o dedim pra radicalidade, sem coletivizar, sem contagiar, sem se arriscar a sentir uns fri na barriga. 

hoje, tudo o que se afasta disso, vai contra o SUS. 

precisamos voltar a nos encantar pela luta, lembrar do por que estamos aqui.. os sentidos e importância do que fazemos enquanto trabalhadores na saúde pública. retomar o que nos trouxe até aqui para pensarmos novos SUS possíveis. 

sem isso, sem SUS. 

num há mais mei do camim .. 

❤️ aqui nois capota, mai num breca .. simbora 🤙


zuba!