E eu
Que na noite passada precisei inté memo escrever poesia
Pra ver se descobria palavras
Escondidas
Nos vocabulário perdido
Do meu coração ..
ZUBA
E eu
Que na noite passada precisei inté memo escrever poesia
Pra ver se descobria palavras
Escondidas
Nos vocabulário perdido
Do meu coração ..
ZUBA
tem vez que eu só consigo dormir depois de descobrir palavra ..
num há meia quarta feira que resolva os inteiro de uma vida toda danada.
hoje, antes de ir trabaiar, fui tomar sorvete.
num era nem porque eu queria
na verdade, eu nem ia
mas foi por pura precisão.
dependendo da altura do ciclo
eu chamo isso é de fogo no orobó
mas hoje vamo apelidar apenas
de desejo de movimentar uns camim.
(fica mai bonito
pa mais prestoso
e no fim oce inda
acha que eu to fazendo poesia)
mas e então
cos sorvete comprado
entramo na viela
brincamo cos encaixe inesperado do corpo
e nos demoramo ali,
sentados,
vendo segundos de cada história subir e descer.
e era cos óio bem atento
mas também cabeno sorriso nas avenida do rosto
que sempre faz cruzamento
com os deslize das emoção.
e em mei a causos
reflexões, planos, relógios
e uma moça muito das afinada que cantava um louvor nalgum banheiro
desconfio que cheguei perto de umas conclusão
ainda que tão longe de algumas resposta ..
mas eu
que num sô lá muito das buscadora
de entender a fundo qualquer questão
e num tenho medo
de distanteza
no fim sempre me contento em sentir
que, até aqui, nunca que bandonei meu coração.
é como se nele coubesse
todas as minha solução.
e como quem faz música
com os compasso esperto do tempo
percebi que enquanto os minuto andar
as água encontrar saída
e as estrela num desistir do céu
há as chance dos ainda.
no fundo,
acho que eu gosto memo de continuar
porque tudo isso combina
é com as geografia da vida
que faz dum simples sorvete
camim pos novos dias.
ZUBA
Esse ano um tanto de cruzamento invadiu meus camim, mas a correria era tanta que num dava voz justamente pros meus pensamento mais sensivo.
Oia só proce ve como a vida é doida ..
Agora eu já tenho mais ano de mano do que de uai, e ainda assim num é essa cidade que me guarda.
E nos aguardo de segunda a sexta, a vida manda é lembrete de que o tempo num para:
Dentro do busão que tem dia que demora uns 30 minuto pra passar, vou trabaiá um trabai que aumenta meus oiá.
Esse ano, além de invocar um tanto de trem coletivo nas luta que acredito, virei mestra. Sou mestre na faculdade dos oto e abeiúda nas minha palavra mais enfeitada.
Graduada, pos graduada e inventada nas arte de num sossegar.
Mas quanta alegria assistir a vida em retrospectiva, todo dia, de dento daquele busão ..
Antes dos primeiro 10 minuto de viagem, passo em frente ao Mandaqui, hospital que me leva aos ano de 2011 quando eu desmaiei ao reencontrar meu pai depois duma cirurgia de alto risco.
Lembro como se fosse ontem ..
mas um tanto de acorde nasceu nos amanhã que vieram depois disso.
Subindo mais um tanto de minuto, nas virada duma sombra onde o povo dá o quilo da hora do almoço, encontro o antigo prédio da minha madrinha.
Lembro que quando ainda morava em minas, ela me trouxe pra passar as férias por lá.
Eu achava chique andar de elevador, acompanhar em compras num mercado que tinha bolacha diferente e ficar oiando as altura do mundo da janela daquele trem gigante.
Hoje, passo por lá pra trabaiar, morando em São Paulo, e é inevitável num me recordar dos pé da minha infância.
Foram eles que me trouxeram até aqui..
Hoje meu rosto já combina com uns cabelo branco, meu cotidiano já traz as dureza duma rotina, os problema convoca pa otas equação e a natureza divide nome ca saudade, mas inda assim me sinto toda menina quando óio no zói do tempo.
Mas num é que eu num cresci.
É que eu só num sou maió que as minha infinita curiosidade.
Elas que me fazem pa sempre pequena ..
Num dos ultimo trem que escrevi do coração, cheguei à conclusão que a vida tinha era firmado acordo ca própria incompetência.
Ela num se quer completa, arrumada, por inteiro madurecida. Ela quer memo é o espaço dos avesso, os buraco sem fundo, os canto sem aviso, os trupico de repente. Ela quer brincar com nossas resposta, dobrando as aposta e fazendo careta pos rascunho de qualqué conclusão.
A vida é serelepe, muntada em horas de imprevisível, mas ainda assim toda comprometida cos destino que desenha pa nois.
Faz caber tudo e nada no memo batimento. Usa verbo usado e surrado e cria otos tanto nos passo do dia a dia.
A vida mexe, no fim, é cos tamanho das nossas poesia ..
Zuba
finaleira de ano ..
que doidera foram os últimos tempos.
tenho feito coisas demais, e coisas muito preciosas - e custosas.
lancei um livro, tô fortalecendo um movimento social - necessário - que tem crescido muito
fui demitida dum trampo muito significativo pra mim, e por perseguição política
tô tentando cuidar de mim no mei do camim
tenho participado de formações com estudantes
concluí uma pos em foz do iguaçu
tenho feito roteitos interestaduais em defesa do sus
tenho organizado encontros de trabalhadores
reuniões, muitas na semana
vida pessoal, tantas ..
e ainda preciso terminar meu mestrado
ja são 5 anos de mestrado e eu num aguento mais
meu prazo é começo de fevereiro para depositar
minha orientadora tá me desesperando ..
talvez eu tenha conseguido um trabai novo
perdi o que poderiam ser minhas férias
e tempo pra concluir esse mestrado como precisa
eu num sei o que será de mim no próximo 1 mes e meio
mas espero que dê tudo certim ..
só quero concluir logo esse mestrado e seguir minha vida
eu queria muito ir pra minas gerais
passar o natal com meus pais e avós
ver o acerolinha e seu sobrim
respirar ar puro
num perder o trampo que consegui - e que parece muito bão
e entregar algo legal no mestrado
mas será que vai dar?
fim de 2024 com emoções :')
zuba
tenho andado mei braba
tentano descobrir
em como que volta
a acreditar
e então
cos pensamento
preso nessa conversa
rumei jeito de sair de casa
pa trabaiar ..
eu tava co rosto
todo atrapaiado
quando uma senhora
me parô na porta do metrô
achei que tava perdida
mai no fundo
foi ela quem me encontrô
sorrino nos natural do dente
pediu com gentileza
pa bater uma foto
dela em frente ao canteiro
todim colorido de flô ..
“é pra mandar pra minha neta
hoje é dia do idoso”
ela solta
justificano o favô
eu rio
suspendo tudo
e me aprofundo na ideia
de querer parar o mundo ..
me emposturo em ângulo
caçando o mió jeito
de guardar pa sempre
as confiança daquele registro
e sigo meu rumo
achano bão
em como na vida
a gente fica inté mais bonito
quando lembra que fei memo
é se esquecer pelo camim ..
zuba
"cê sabe que as canções são todas feitas pra você
e vivo porque acredito nesse nosso doido amor
não vê que tá errado
tá errado me querer quando convém
e se eu não tô enganado
acho que você me ama também ..
o dia amanheceu chovendo
e a saudade me contém
o céu já tá estrelado
e tá cansado de zelar pelo meu bem
vem logo que esse trem já tá na hora
tá na hora de partir
e eu já tô molhado
tô molhado de esperar você aqui ..
amor, eu gosto tanto
eu amo, amo tanto seu olhar
andei por esse mundo
louco, doido, solto
com sede de amar
igual a um beija-flor
que beija a flor
de flor em flor
eu quis beijar
por isso não demora que a história passa
e pode me levar ..
e eu não quero ir
não posso ir pra lado algum
enquanto não voltar
não quero que isso aqui dentro de mim
vá embora e tome outro lugar
talvez a vida mude
nossa estrada pode se cruzar
amor, meu grande amor
estou sentindo que está chegando
a hora de dormir .."
outro lugar - milton nascimento
ontem participei de um curso muito interessante .. voltado pra discussão do abolicionismo penal.
eu nunca tinha parado pra pensar a fundo nisso. assim como a maioria das pessoas, eu sempre interrompo meu pensamento em: "e se nao for assim, é como?"
e aí foi daora ir adicionando camadas a essa discussão que diz mais sobre nóis do que gostaríamos.
por vezes, imaginando cenários, foi mais facil projetar uma invasão alienígena, mutações genéticas, do que necessariamente admitindo qualquer mudança no humano. convocar a gente pra ser gente é um trem que parece tá dificil demais .. "mais fácil o mundo acabar do que o capitalismo".
e aí, trocando, vamos lembrando que o mundo sendo mundo, nem sempre foi assim.
prisões não existem desde sempre .. antes, outras lógicas conduziam o mundo. e pq agora nao conseguimos nos ver sem isso? é muito doido.
e aí vou pensando em mim e nas lutas que vou topando, porque tem tudo a ver.
eu há mais de um ano tenho lutado muito ativamente pelo SUS em SP, e digo pra vcs .. nao é simples, não é facil. tive perdas .. e sinceramente, não vejo um bom prognóstico. no entanto, sem essa luta teríamos menos certezas ainda. então a resistencia é um aspecto importante nesse processo, ainda que não aponte para caminhos e descobramentos muito concretos.
mas assim .. sinto uma enorme desperança no coletivo.
no micro, no individual, me afeto .. me renovo, me fortaleço .. mas no coletivo? num sei mais onde isso mora. é mesmo cada um por si.
o "vício pela liberdade" .. quando um direito básico vira compulsão justamente porque determinadas populações não conseguem viver essa autonomia. quando a vida, esse trem gigante, fica reduzida dependendo da mão que pega.
enfim .. me sinto forte, feliz por estar na luta, mas ao mesmo tempo profundamente desesperançosa no coletivo.
um vírus .. pense. um vírus! nois ficou mó cota sem poder nem abraçar as pessoas, sair de casa .. podendo ser o hospedeiro da morte de pessoas que amamos .. tudo nos invisivel, na sombra do acaso .. e nem isso mexeu com nois. então assim .. hehe. pra que vou ficar me iludindo?
mas dados de realidade ainda não sao suficientes pra me paralisar nas lutas que acredito. eu seria incapaz de ouvir e testemunhar tanta paiaçada quieta. num consigo .. e é aquele trem .. é junto dos bão que nois fica mió. a luta pelo direito à saúde dá ainda mais sentido à minha vida.
e nesses acaso de luta, na quinta passada, em um ato, sem querer trombei com quinquim. quinquim foi um caso que num foi pra frente pq nao era memo pra ir, mas em uma de nossas ultimas prosa, num gostei do jeito que ele ficou analisando meus jeito de ta no mundo .. e desta vez consegui rebater.
sentamo pra conversar e travei uma luta um pouco mais desimportante: informá-lo que num é pq num somo igual que num tenho o direito de ser diferente. dessa vez, ele entendeu, e firmamo acordo em amizade.
no mais, tenho me sentido pessima .. tenho sido grossa com pessoas que nao merecem e disse em voz alta, e pra outras pessoas, coisas horriveis sobre alguem que nao merecia. foi sem querer .. e agora nem consigo oiar na cara dela. me sinto repugnante.
sinal que tenho que calar minha boca hehehe .. hora de ouvir mais e falar menos.
e vamos lá!