quarta-feira, 16 de novembro de 2016

tempo de inteiros


em tempos de inteiros
onde um é cem por cento
percebo que nós
é pronome de enfeite
nós
é aquilo que dá na garganta
e que a cabeça espanta
de num saber lidar

em tempos de inteiros
o rebolado tem lado
a risada tem hora
e o zói num chora
por ter que esperar

em tempos de inteiros
tudo termina em eu
e nada acontece em nós ..

ZUBA

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

dia tretoso

hoje voltei pra casa fritando nas ideias.
o que foi tudo isso?

compreendi tudo o que foi dito. fez todo sentido. havia ali uma terceira pessoa na relação, uma pessoa nova, que num conheço e que, portanto, seria prudente considerar, ali, a sua presença e suas implicações dado o contexto e a exposição a que tava me sujeitando. parece que eu num devia ter naturalizado tanto a situação, por mais que seja algo, àquela altura, natural pra mim.

sim, tornou-se natural. nas primeiras vezes ainda havia um estranhamento (eu-ele), mas a forma como ele lidava com aquilo fez com que eu entrasse no mesmo ritmo dele. eu cheguei a me estranhar porque realmente num me incomodava mais,. só ficava pensando que saco que deve ser ter de fazer isso tantas vezes no dia. eu num senti tanta vergonha e isso me surpreendeu muito. restou apenas o que havia de procedimento.
estendi esse meu olhar puramente procedimental pro terceiro elemento, que topou e que, ao topar, embarcamos juntos a partir dessa minha visão de que tava td ok (+ pratico pra ele e é apenas procedimental).

houve uma ingenuidade da minha parte? uma ausencia de senso crítico?
o que houve, ali?

ao mesmo tempo, quem tava presente, viu. a forma como a relação tava se dando num tava abrindo margem pra outro pensamento que nao o de um encontro mt legal. uma nova parceria que tava se formando. tanto é que enquanto fazíamos o procedimento, o terceiro elemento perguntava coisas práticas. ele realmente parecia querer entender como funcionava.
ao terminar, tudo continuou como era antes. o mesmo papo, a mesma afinidade. "parecia que tínhamos ido beber água", não houve mesmo nenhum estranhamento aparente.

eu voltei pra casa com crise de identidade.
parece que eu tenho um talento em nao me preocupar com o que os outros se preocupam.
parece que eu num acho tão fenomenal algo que as pessoas acham fenomenal.

eu realmente num vi problema no que aconteceu. e pode num ter tido problema nenhum mesmo.
mas talvez o maior problema tenha sido eu num me questionar em nenhum momento sobre isso.
eu naturalizei o que aconteceu ali. 
ESSE É O APRENDIZADO.

elA disse que eu precisava me questionar mais sobre as coisas que me sujeito, nao só nesse caso. eu num tenho que fazer tudo só por benevolência. eu posso dizer "nao', eu posso realmente num querer participar de algo assim. 

falou sobre um traço de minha personalidade. "generosidade", "impulso", "se doar muito". me lembrou muito daquela conversa que diz respeito a um corpo que está em formação. 

domingo, 9 de outubro de 2016

estado de poesia


"é belo vês o amor sem anestesia
doi de bom
arde de doce
queima
acalma
mata, cria
chega tem vez que a pessoa que enamora
se pega e chora do que ontem mesmo ria
chega tem hora que ri de dentro pra fora
num fica, nem vai embora
é o estado de poesia .."

bjim da zuba.



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

cultura de rua - fique de zói

PROCURE SABER

tenho apreciado cada vez mais intensamente a cultura que encontra na rua o seu sentido .. curto devagarim, sem pressa. é assim que demonstro meu respeito por um cenário que é diverso, complexo e que, até então, tem me acolhido tão bem. 
mas isso não basta .. por se fazer na rua, as possibilidades de expressão, participação, agenciamento e organização das mulheres muitas vezes são deslegitimadas e silenciadas. solicitando mais um lugar de resistência dentro de propostas que por si só já são de resistência. 
como mulher, curtidora (pra chuchu!!), aprendiz e pessoa que confia no poder da cultura de rua, fico muito feliz em ver o fortalecimento de coletivos pensados e tocados por mulheres .. então, fiquem ligados nessa produça!!

FEMININE HI-FI

eu acho é chiquerrimo .. em minha opinião, se a rua num for pra isso, num serve é pra mais nada!

zuba

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

1o dia - zuba is back



- momento: algo em que me sinta confortável em pertencer, logo de inicio
- sei que ha desafios, mas esse conforto produz uma confiança necessária. confiança que inspira
- momento 2: << à procura de algo que me inspire. >> estratégia para seguir em frente.
- muitas info da graduação. ultimo semestre: dificil, mas, ironicamente, o com melhor resultados academicos. --> t.o + sentido.
- a inspiração seria a cereja no bolo dentro desse processo. ampliar olhar, ampliar possibilidades, conjugar com conceitos/práticas/dialogos passados. 

- ha algo de muito pessoal, mas ha tbm uma consciencia/etica profissional crescente.

bem ..

inauguremos

pq

ZUBA

IS

BACK

!!!


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

intimidade



acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade .. a gente só descobre isso depois de grande. a gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas .. há de ser como acontece com o amor!
assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo .. justo pelo motivo da intimidade (...)

manoel de barros


"há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas" - video para ver e rever (valeu, lari!!)





tenho um livro sobre águas e meninos.
gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
a mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
a mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
o mesmo que criar peixes no bolso.

o menino era ligado em despropósitos.
quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

a mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
falava que os vazios são maiores e até infinitos.
com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
no escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
o menino aprendeu a usar as palavras.
viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
e começou a fazer peraltagens.

foi capaz de interromper o voo de um pássaro botando ponto final na frase.
foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
o menino fazia prodígios.
até fez uma pedra dar flor!

a mãe reparava o menino com ternura.
a mãe falou: meeeeeeu filho, você vai ser poeta!
você vai carregar água na peneira a vida toda.
você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos .. 

manoel de barros